A Beleza do Couchsurfing | Rodrigo Fajardo | TEDxUFSCar


Tradutor: Carolina Matias
Revisor: Claudia Sander Você já pensou em visitar vários países sem ter que se preocupar
em gastar com hospedagem? (Risos) Já pensou em conhecer lugares incríveis
que não estão em nenhum guia turístico? Já pensou em encontrar pessoas
de diversos lugares do mundo sem ter que sair da sua própria casa? Pois bem, isso tudo é possível
através do “couchsurfing”. Couchsurfing? O que é couchsurfing? Se pensarmos na tradução
literal do inglês, “couch” é sofá, e “surfing” é surfar. Naturalmente, a gente imagina
algo mais ou menos assim. (Risos) Mas não. O couchsurfing não é, realmente,
pegar umas ondas em cima de um sofá, apesar de isso não ser tão má ideia. (Risos) Na verdade, o couchsurfing
é um movimento em que um morador oferece gratuitamente a sua casa
pra hospedar um viajante por alguns dias. E é daí que vem o nome. Porque o viajante vai dormir de acordo
com a disponibilidade do morador. Em um colchão extra, em um colchonete,
ou mesmo em um sofá. Então, basicamente,
é uma hospedagem gratuita, certo? Não. Couchsurfing é muito mais que isso. Couchsurfing envolve
uma ampla troca de experiências. O viajante pode cozinhar com o anfitrião. O anfitrião pode dar dicas
de lugares legais pra ele. Não só os turísticos; falar onde comer,
onde é melhor ir, entre outras coisas. A ideia não é só passar a noite
na casa de um desconhecido. É realmente conhecer a pessoa,
se adequar à rotina dela e estar aberto a viver
todas as coisas boas que esse encontro pode proporcionar. Como fazer isso acontecer? A primeira opção
é o bom e velho boca a boca. Ficar na casa de conhecidos
não tão próximos, de amigos de amigos, e ir buscando sempre novas formas
de conhecer gente. E, a partir daí, entrar em contato
por telefone, e-mail, Facebook, Whatsapp, sinais de fumaça, o que for. O importante é expandir
sua gama de contatos e perder a vergonha de ficar
alguns dias na casa de alguém, ou mesmo de receber
alguém por alguns dias. A segunda opção é uma plataforma on-line
chamada couchsurfing.com. Nessa plataforma, o usuário cria um perfil
e disponibiliza algumas informações nele. E assim, ele pode entrar em contato
com outros usuários; pra oferecer hospedagem,
ou pra solicitar hospedagem. Ele coloca algumas informações como:
a idade, a profissão, onde nasceu, o porquê de estar no movimento
couchsurfing, alguns interesses, músicas, livros, filmes prediletos, lugares que já visitou, lugares que morou. E, no caso de oferecer hospedagem,
algumas informações sobre a sua casa: quantas pessoas cabem,
como é a acomodação. Ou seja, são apenas tópicos iniciais
de qualquer conversa. Afinal, se você vai receber
algum desconhecido na sua casa, você vai querer saber
algumas coisas dele antes, certo? A plataforma on-line
é apenas uma boa ferramenta, mas é extremamente possível
fazer couchsurfing sem ela. “Ah, Rodrigo! A semana passada então,
que eu recebi o primo do meu amigo por dois dias lá em casa,
foi meio que um couchsurfing, já?” Exatamente! Eu aposto que você
perguntou pro seu amigo: “Ô… teu primo, é de boa?
O que é que ele gosta de fazer? O que é que ele gosta de comer? Fala pra ele que tem um sofá
muito bom pra dormir lá em casa. E ele é a primeira pessoa
que eu recebo assim. Aliás, ele já fez isso antes?” E é nessa hora, é nessa conversa,
que nós decidimos se a “vibe” bate, se as personalidades batem,
se queremos conhecer outra pessoa, se nos sentimos seguros,
se achamos que será legal oferecer hospedagem a ela,
ou ser hospedados por ela. O desafio passa a ser
aumentar o leque de contatos e se inserir cada vez mais no movimento. Beleza! Sabemos melhor o que é couchsurfing, sabemos como fazer couchsurfing. Mas, por quê? Quando eu vou viajar tem vários hóteis,
hostels, várias opções pra ficar. Pra que eu vou fazer couchsurfing? Esse movimento permite
que você conheça pessoas novas e lhe oferece a oportunidade de fazer
novos amigos de um jeito muito único. Permite que você vá
a lugares não tão turísticos, que podem encantá-lo
de uma maneira muito cativante. E, com certeza, lhe proporcionará
experiências incríveis, como as que eu vou contar agora. Pra começar, um exemplo pessoal. Eu já fiz couchsurfing
em dez países diferentes, mas a experiência mais
multicultural que eu já vivi, foi através do couchsurfing
em Sófia, a capital da Bulgária. Eu fiquei num apartamento
que era mais ou menos assim… Eu dormi no colchão
do quarto de uma búlgara, que dividia o apartamento
com mais duas pessoas. Um italiano e um inglês. O inglês namorava uma búlgara e, na época que eu estava lá, ele estava recebendo
dois caras da Bielorrússia, também por couchsurfing. (Risos) À noite, todos nós nos juntamos na cozinha pra beber umas cervejas, conversar; sobre costumes, preconceitos, interesses, estereótipos, curiosidades,
de cada cultura ali presente. Foi incrível! E foi aí que eu descobri que, na Bulgária, se você quiser dizer
que “sim” com a cabeça, você faz este movimento, (Risos) como o Chaves fazia no seriado. (Risos) Naturalmente, se você
quiser dizer que “não”, você faz este movimento. (Risos) Não é lá uma informação tão útil,
mas é superdivertido, não? Couchsurfing pode trazer ideias
de projetos pessoais muito legais também. Este é Ali Zaidi, um paquistanês
que mora em Londres há alguns anos. Nas palavras do próprio Ali,
estas são as suas impressões ao receber viajantes pelo couchsurfing: “Toda vez que eu recebo alguém, tenho
um preconceito a menos na minha vida. Preconceitos esses, que surgem
dos estereótipos que escutamos da mídia. Uma mão tem cinco dedos diferentes,
então como eu poderia esperar que as pessoas de um país
inteiro fossem iguais? Tem sido uma bela jornada,
com certeza, uma bela jornada”. Com base nessa ideia
das diferenças culturais, ele desenvolveu um projeto fotográfico
chamado, Mas(k)culinities, que investiga o que realmente significa
ser homem hoje em dia, em várias culturas. Quais as máscaras sociais envolvidas
nos aspectos da masculinidade em várias culturas. Dessa maneira, ele recebe
viajantes do mundo todo e convida alguns pra fazerem
parte do seu projeto. Primeiro, entrevista e, posteriormente, tira algumas fotos, conforme o que foi falado. A única exigência do Ali é que o modelo olhe pra câmera no momento da foto. Assim, cada uma dessas fotos
é algo extremamente pessoal pra cada um desses modelos,
o que torna o projeto ainda mais incrível. Hoje em dia, ele expõe
essas fotos em várias galerias. Couchsurfing, também pode
mudar a sua vida de um jeito inimaginável, como aconteceu com o Lisando. O Lisandro é argentino,
da cidade de Rosário. Em uma viagem ao Brasil,
ele precisou ficar aqui em São Carlos, por alguns dias. Pediu hospedagem a várias pessoas,
e, entre as tantas que aceitaram, resolveu ficar em uma república mista. Nesse lugar, o Lisandro se deu
muito bem com os moradores e com todo mundo do círculo
que frequentava a casa. Os amigos dos moradores,
os amigos dos amigos, os conhecidos dos amigos dos amigos. E, entre essas pessoas, estava Guilherme,
um brasileiro que mora em São Carlos. Os dois se aproximaram, se apaixonaram, mas o Lisandro teve
que voltar pra Argentina. De lá, continuaram
se falando pela internet, até que um dia resolveram arriscar de vez. Cerca de depois de um mês,
o Lisandro voltou a São Carlos pra morar com o Guilherme. E hoje os dois moram juntos
e vivem esse amor internacional. E, com certeza, toda pessoa
que faz couchsurfing tem uma boa história pra contar. Agora, com tudo isso em mente:
o que é couchsurfing, como fazer couchsurfing,
pra que fazer couchsurfing… eu pergunto: onde está a beleza do couchsurfing? Por que esse movimento é algo tão belo? Pra mim, a beleza
não está, essencialmente, nas experiências incríveis
que cada um pode obter; hospedando alguém ou sendo hospedado. A beleza está em acreditar nisso tudo; em ajudar sem querer nada em troca; em confiar antes de desconfiar; em se permitir sempre esperar
o lado bom das pessoas. Quando nós pedimos algo,
criamos uma conexão. E aqui, em vez de vermos
tudo como um risco, nós enxergamos tudo isso
como um ato de confiança. Afinal, o ser humano
é generoso por natureza. Nós gostamos de ajudar.
Nós queremos ajudar. E isso tudo reflete o mais puro amor. Couchsurfing representa
uma verdadeira comunidade, em que as pessoas partilham
as suas vivências com sinceridade e de coração aberto. E isso, nós podemos espalhar
pra nossa vida como um todo. Há uma música que diz o seguinte: “A paz que você quer no mundo,
primeiro você tem que viver. O amor que você quer no mundo,
primeiro você tem que ser.” Sejamos amor! Couchsurfing, é uma bela e pura expressão do que é e de como espalhar o amor. Sejamos amor! Muito obrigado. (Aplausos)

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